Eu, Musicalmente

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[Foto retirada do site: Guia Dicas]

Reza a lenda que quando eu voltava da maternidade para a casa no carro do meu pai, ouvia Paul Mauriat.

Eu fui uma criança diferente das outras em termos musicais também. Quando eu era criança, lembro que adorava escutar meus 3 discos infantis a trilha sonora de "Carrossel" e "Vovô e Eu" e "Mara Maravilha" com o albúm "Curumim", porém teve um dia que enjoei e "roubei" uns discos de meu pai para ouvi-los. Não me lembro que dia fiz isso e como fiz isso, talvez pedi ajuda para minha mãe, mas desde esse dia comecei a gostar de música antiga. Penso eu que naquela época era tudo que tinha como alcance no quesito música e então peguei gosto por isso.
Ouvia desde Suzi Quatro, uma das roqueiras mais famosas e loucas dos anos 70 até músicas clássicas como as velharias de "Saudade Não Tem Idade", uma coletânea que meu pai tem ou a trilha sonora internacional da novela "Escalada" que bem mais tarde fui descobrir que "Escalada" era uma novela global lá de mil novescentos e bolinha... Meu pai também tinha um disco de "Simon & Garfunkel" que insistia em dizer que a música "The Boxer" era a mais linda: O maior sonho de meu pai era usar essa música no dia de seu casamento, mas o padre não deixou. Então, eu Andressa, continuei a curtir tudo e principalmente Suzi Quatro que não saía do meu "playlist" na época.
Por intermédio da TV Cultura e de minhas primas, acabei conhecendo uma música que até hoje não me esqueço chamada "Minha Sereia" de Edu Lobo. Ela foi tema do programa infantil da minha época chamado "Rá-Tim-Bum". Não sei o que acontecia, não sei se isso era uma coisa normal para uma criança de 4, 5 anos de idade, mas eu viajava quando ouvia essa música. Era como se a música me levasse para uma época que eu não vivi e eu sentia saudade dessa época... Uma coisa super estranha, porque a música só falava de uma sereia que o menino tinha se apaixonado e só! Nada a ver uma coisa com a outra... Hoje eu chego a ter um medo disso, rs! Mas sempre foi um prazer ouvir essa música porque ela me faz viajar sempre... Queria que algum psicólogo me explicasse isso... Até hoje não entendi.
Os anos foram passando e essa mania de criança não. Na minha vida, passei por muitos tipos de músicas como os homens passam por muitos tipos de mulheres até achar uma que preste. Lembro-me que cheguei a gostar de "É o Tchan", grupos de pagodes e alguns sertanejos na época de 90's. Minhas primas e eu dançávamos ao som do "Segura o Tchan", "Dança da Bundinha", cantarolavámos pagodes e curtíamos alguns sertanejos. Dentro dessa época, não conseguia esquecer da minha raiz: Em casa, ouvia Jovem Guarda de uma fita do meu pai, bem ruinzinha mesmo, num rádio velho toca-fitas caindo aos pedaços doado pela minha madrinha. Nessa mesma época conheci a cantora Thalia e a trilogia das Marias (as novelas que ela fez) e me apaixonei perdidamente... Lembro-me que eu pedi uma fita com as músicas delas às minhas primas como presente de dia das crianças... Na mesmíssima época conheci Chiquititas, um lixo na minha vida.
Quanto a Chiquititas e tudo do "É o Tchan" e pagodes que passaram pela minha vida, hoje, não consigo saber porque eu gostava disso... Como eu tinha paciência de ouvir essas coisas? Recentemente, ouvi de novo essas músicas e não aguentei chegar até a metade de cada uma delas... Gente, será que a velhice está chegando? Ou é meu bom gosto musical que me impede de escutar outra coisa que seja lixo? Pode ser os dois, não faz mal.
Aos 11 anos, um marco na minha vida estava para acontecer: Conheci os CarpenterS. Foi sem querer querendo, como diria o Chaves e até hoje eles são meus grandes ídolos inesqueciveis! Não há sequer uma música deles que eu não goste! Os caras são talentosos, principalmente a "sister" Karen Carpenter que nos deixou um consagrado talento musical por sua voz. Infelizmente, essa moça já faleceu, mas permanecerá em meu coração para todo o sempre! Já que nessa época eu era "criança" a família toda dizia que tudo isso ia passar: Que quando eu crescesse não ia mais gostar dessas coisas e ia esquecer de tudo isso! Realmente eu cresci e continuo gostando muito das músicas antigas e amando os CarpenterS intensamente... CarpenterS, hoje, são meus eternos ídolos. Nessa época também conheci a trilha sonora de "Dono do Mundo" e reconheci uma fita velhinha da "Jovem Guarda", ambos de meu pai: O véhio também tem bom gosto.
Depois dos 12 anos, ainda curti muito o axé, o pagode e muitas porcarias a vista. Só após os 15 anos acordei para a vida: Joguei toda essa modernidade fora e embarquei em um mundo desconhecido para uma jovem diferente como eu... O mundo da música velha. Na época dos 13, 14 anos voltei a fazer uma coisa que poucos faziam na época e muitos achavam um absurdo: Comprar discos LPs. Foi por isso que conheci mais e mais músicas velhas e quase consegui completar a coleção dos CarpenterS (até hoje, acho que me faltam 3 discos). Músicas inesquecíveis, que qualquer quarentão se delicia ao ouvir novamente os bons tempos da música. Até hoje tenho eles! Minha coleção de discos é muito pequena, em torno de 40 discos, mas é de estimação! Curiosamente, na época que eu comprava os LPs, os preços variavam de 3 a 4 reais. Hoje se encontra LP muito mais caro de 20, 30, 40 e quase 100 reais! O LP está muito mais valioso que o CD no tempo do MP3... PQP!
Voltando aos 15 anos, comprei uma fita VHS chamada "A História do Rock'n'Roll" da coleção Caras. Nela trazia um monte de artistas velhos contando sobre os Anos 60 e o rock. Cada música que tocava lá, cada pedacinho de clipe que tinha, eu me apaixonei! Era Beach Boys, Searchers, Peter & Gordon, The Mamas and The Papas, Young Rascals, Supremes, Lovin' Spoonful, Spencer Davis Group, etc! Nossa, só de ter escrito esses nomes me deu vontade de novo de ouvir tudo... É como se eu tivesse um pout-pourri em minha mente! E aos 16 anos quando ganhei um computador, fui como louca baixar tudo quanto era mp3 dessas músicas e fiz até um cd que toco até hoje porque não consigo me enjoar... Junto com essas pouquíssimas musiquinhas que tinha naquela fita VHS, acabei conhecendo outra quando assim comecei a navegar na internet.
Nessa época da adolescência, curtia ouvir emissoras de rádio como Antena 1 e Alpha FM. Eu ficava louca da vida quando tocavam as músicas que eu queria saber o nome de quem cantava e o nome da música e corria atrás até achar. A Alpha era mais boazinha, dizia os artistas que tocava, mas a Antena 1 não! Era raro... Com as descobertas fui montando vários CDs que são os melhores que tenho!
Falando em correr para saber o nome do artista e da música que tocavam nas rádios e eu não sabia, aos 18 ou 19 anos me lembrei de uma música francesa que me enfeitiçava e não saía da cabeça... Não sabia quem cantava, não sabia qual era o nome da música, mas só sabia no "tanananana" o que ninguém descobri qual era. Após muita procura, fui numa sebo, achei uma coletânea de músicas francesas muito familiar e já ia comprar o disco com a esperança de que a música que eu queria estava lá sem ter certeza se estava lá mesmo. Naquele dia, o toca-disco da mulher estava funcionando e ela tocou o disco para mim antes de eu compra-lo para ver se encontrava a música (que moça boazinha, qualquer vendendor frio ia empurrar o disco para eu levar de qualquer jeito! Que doce de mulher!). Eu a agradeço até hoje: Descobri minha música francesa, iupiiiiiiiiii! Dei um pulo e grito tão alto que o menino no colo da mulher acordou, mas voltou a dormir de tão preguiçoso... Não me esqueço daquele dia quando, após uns 5 anos, ouvi de volta aquela música: "Irresistiblement" de Sylvie Vartan... Ai, panguei aqui!
Bem, o que falar de hoje em dia? Continuo a mesma coisa será? Não. Na verdade eu mudei: Hoje parei um pouco de correr atrás dessas músicas também porque não conheci nenhuma para correr atrás. Já aguentei ouvir Amy Winehouse, Sean Kingston e Gnarls Barkley e enjoei como sempre... Hoje ouço todas as músicas que tenho arquivadas em casa... As músicas antigas do meu coração! Parei de ouvir LP por preguiça, mas voltarei a ouvir um dia porque música boa e música para sempre. Naveguei nas músicas italianas e alemãs e estou pensando em fazer um cd de músicas espanholas das antiiiiiiiigas mesmo... Graças a um amigo da internet, conheci mais e mais músicas antigas de artistas bem desconhecidos, mas se uma pessoa mais velha ouvir talvez reconheça porque naquela época era comum as pessoas conhecerem as músicas e não os artistas que as cantavam. São geralmente artistas que damos o nome de "one hit" que fizeram sucesso com uma música só... E que sucesso!

Agora ouvirei "El Condor Pasa", de Paul Mauriat...

Até a próxima!

Músicas da minha vida:

Sylvie Vartan - Irresistiblement
B. J. Thomas - Raindrops Keep Falling On My Head
Edu Lobo - Minha Sereia
Supertramp - My Kind of Lady

2 Comentários...:

  1. Eu sempre me pergunto o que teria sido da minha vida sem a música. Grande parte de nossa personalidade, hoje vejo é definida por ela. Me lembro de muitas das letras das músicas que marcaram minha infância e isso é como saborear um doce gostoso.

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  2. Sabe que eu também amo ouvir música antiga, sinto saudade desse tempo que não vivi, que nem sonhava em nascer, me transporto pra lá.

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