Arranjei um Emprego...

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(Retirado do site: Rodisley Studio Design)


Terça-feira, dia 23 de Fevereiro de 2010, uma bela tarde meio nublada de São Paulo. Nesse dia eu havia recebido a notícia mais triste da minha vida nesse ano: Não poderei fazer faculdade. Meu pai ligou para a Universidade São Judas Tadeu (também conhecida como USTJ), a universidade que me ofereceu bolsa e eles confirmaram que não podia me dar bolsa integral e sim só os 50% ofertados pela PROUNI. Chorei tanto como se a vida fosse acabar por alí.
No dia anterior a esse, eu havia sido chamada por uma empresa chamada Atento (você conhece? não?) para fazer uma entrevista na terça. Mais uma vez, uma empresa ousou a dizer que essa entrevista, conhecida também como "processo seletivo" (parece coisa de faculdade), seria num HOTEL. Hotel? É, Hotel. Para quem é de São Paulo, se trata de um hotel chamado Shelton Inn Hotel, fica na Av. Cásper Líbero, 115 lá no Centro de SP. Quando cheguei por lá, cheguei cedo demais. Achei que ia demorar uns "2 anos" para achar a rua e então tive que esperar para chegar a hora da entrevista. Ao ver o lugar, não gostei muito não. Naquele dia me saía cada pessoa daquele hotel que tinha mesmo clima de pós-carnaval...
Quando entrei lá dentro, entrei junto com uma grande multidão já no elevador. Fora do elevador, acompanhei a mesma multidão que me levou para uma sala meio grande cheia de gente que tiveram que improvisar mais cadeiras. Acho que nunca vi tanta gente numa entrevista... Sentei na penúltima fila nem ligando para o que estava me acontecendo a minha volta: Eu ainda estava triste pela notícia da faculdade. Acho que as pessoas perceberam pela minha cara, eu não conseguia sorrir para nada! Quando começou a entrevista, a moça entregou um currículo para nós preenchermos a mão de novo e começou a falar dos produtos que tinha vaga para trabalho. Eu estava tão tam tam que eu nem prestei atenção quando ela falou do Bradesco Internet Banking (Por que esse produto? Depois eu te conto...). E entregou as provas. A de informática foi fácil, mas eles não falam as notas. Teve português, raciocínio lógico e conhecimentos gerais como sempre. Fiz tudo direitinho e assim, dividiram nós em alguns grupos (era muita, muita gente!) e nos colocaram numa sala. Uma mulher vestida simplesmente e com uma cara super simpática (essa foi minha primeira impressão) foi a quem fez a entrevista literalmente (dessa vez foi uma entrevista!) perguntando nome, idade, solteiro ou casado, filhos, etc... Eu falei o que eu tinha que falar e depois eu quis me matar porque percebi que falei baixinho demais (grrr)! Pronto! Um ponto a menos para eu ser reprovada! Sempre eles arranjam uma coisa besta qualquer para reprovar. Eu percebi isso, porque um homem que falou depois de mim usou um vozeirão que me fez me sentir como se fosse uma bactéria por alí... Ai, que coisa! Logo quando ela acabou a entrevista com todo mundo daquele grupo, nos fez esperar uns "4 anos" para nos levar a aquela primeira sala onde nós estavámos antes. Nesse meio tempo (digo, meio século) me passou um rápido alívio pela mente: "E se não tiver dinâmica? Ai, que alívio! Ai, que alívio!" - Mas tive medo de me iludir. Eu comecei a pensar assim naquela hora porque a moça simpática da entrevista nos disse que seríamos mandados para a outra sala para nos dividir nos produtos que escolhemos. Escolhemos? É, quando ela estava dando a entrevista, ela perguntava para cada um: Você prefere ativo ou receptivo? É, é de novo telemarketing, sim! Por quê eu insisto nisso? É o que mais pega gente para trabalhar e o que mais me chama para trabalhar. Por que esse trabalho de tão pouco salário? Eu preciso, pô! Não posso/quero fica mais parada! Tendeu? Tendeu. Bem, daí fomos a outra sala que estava com a temperatura menos fria. Sentei-me no mesmo lugar e assim, finalmente, a mulher chamou os nomes das pessoas reprovadas... (Xii!!!) Então, peguei as minhas coisas e arrumei tudo para me preparar para sair de lá - estava certa de que ela ia me chamar - Foi, foi, foi, foi... E ela não me chamou... Ih, ela esqueceu de mim! O pior de tudo é que tinha uma outra mulher que estava chamando grupos de pessoas aprovadas: Cada grupo tinha o seu produto, entendeu? É, é por aí... Então eu tinha que estar com um ouvido na mulher dos aprovados e uma na mulher dos reprovados. Vocês acreditam que eu dei mais atenção para a mulher dos reprovados? Mas ela não me chamou! Ué? O que aconteceu? Senti, sem brincadeira, que ela tinha se esquecido de mim... Snif! Eu estava tão mal aquele dia. De repente, a mulher chama meu nome e inteirinho (como se telepaticamente houvesse lido meu pensamento e então disse meu nome inteirinho para dizer "é, é você mesma, menina! presta atenção!") para produto Bradesco Internet Banking. Ah, é por isso que você falou esse produto lá no comecinho do texto? É, sim. Opa? Eu fui aprovada! Eu fui aprovada! De novo! Pela segunda vez (disfarça)... E me ví na correria.
Tudo para mim foi um pouco mágico. Já que era a segunda vez, não me deu tanta curiosidade e eu já estava acostumada com a idéia de que eu ia receber uma lista, ia ter que ir ao médico, ia ter que abrir conta no banco e ia ter que ir onde Judas perdeu as botas para entregar toda a documentação para saber qual dia, horário e local que começava meu treinamento... Meu treinamento! Iupiii!!!
E então foi assim: A mulher me deu a lista e o papel do médico. Disse que eu ia trabalhar em Santana (iupiiii, lugar mais perto da minha casa) e que eu tinha até quinta feira para resolver tudinho. Lá vem correria.
No dia seguinte, tremi as canelas. Confesso que eu tenho um certo medo de médicos, porque a última vez que eu fui fazer perícia médica a médica da audiometria achou que eu fosse surda! Já contei isso aqui, né? Já! Naquele dia eu estava tão nervosa que eu não conseguia ouvir nada... Então prometi para mim mesma: Só vou tirar as xerox e abrir a conta no banco se não me chamassem de surda de novo! Coisa que eu não sou, grrr! Daí o horror. Fui a esse médico e minhas mãos suavam, meu coração batia forte e quando chegou minha vez me chamaram em grupo com mais umas três meninas. Eram duas doutoras e lá foi uma audiometria diferente: Eu sozinha entrava dentro de uma caixa (que horror!) e eu mesma colocava o fone de ouvido (que amor! finalmente!) e eu mesma ouvia tudo, rs! E tinha que levantar a mão rapidamente. Fiquei tão embananada que fiz uma pequena confusão com as mãos que a médica entendeu que eu estava com alteração no ouvido direito... Xii, me ferrei de novo! Mas ela colocou como apta. Ufa! Mesmo assim fiquei com receio. Fui para uma sala e fiquei esperando lá chegar minha senha assistindo a novela Alma Gêmea. Lá tinha a tv nesse canal, mas eu nem prestava atenção... Quando chegou minha senha, era o meu número e ao lado um outro número que eu pensei que fosse da sala. Me enganei. Acho que todo mundo fez isso... O número a seguir do meu era o número da atendente e não do médico (foi um médico de lá quem me disse, eu fui a sala dele que era o tal número e cometi essa gafe, rs). Mas nem liguei. Mesmo indo a mesa da atendente que era super estressada (você tinha que ver como ela me tratou, parecia que tinha ódio de tudo!) peguei a folha e fui ao outro médico que era aquele que mediu a minha pressão (14 por 8) e fez umas "ginásticas" estranha com as articulações das minhas mãos e braços para ver se eu sentia alguma coisa (nada! só estranhei, acho que ele percebeu) e por fim ouviu as batidas desesperadas do meu coração. Ele falou que estava um pouco agitado, mas tudo bem. Puxou os meus olhos para baixo (aquela coisa que as nossas mães fazem/faziam para ver se estávamos anêmicas, a minha mãe fazia isso sempre quando eu era criança) e disse que eu tinha 18... Não sei o quê. Logo ele disse que estava tudo bem, me passou duas folhas e me deu um boa tarde. Boa tarde, tchau! Nesse mesmo dia, tive que correr com as xerox... Eu só tinha até quinta para resolver tudo! Fiquei apressada com tudo porque a médica não me chamou de surda, rs! Cheguei em casa, arrumei os papéis e corri para o bazar (as xerox poderia ser simplificadas, iupiii - cartório ninguém merece!). A mulher do bazar, como era expert nesse assunto de xerox para emprego, me ligou para não tirar xerox de todas aquelas papeladas: Parte delas não precisava! Estava escrito naquela lista que me passaram e eu nem prestei atenção (disfarça de novo).
Quinta-feira, chegou! Acordei cedinho como que de costume e corri pro banco... Bradesco. Completo (olha o merchan!!!). Fiquei lá umas duas horas esperando para ser atendida. Por quê? Só tinha uma atendente para abrir conta (aiai). Quando fui atendida (lá fora a chuva parou) foi muito gostoso... Porque descobri um monte de coisa da Bradesco que eu não sabia... Sabia que não precisa ter muito dinheiro para ter sua conta corrente? A taxa mensal achei carinha, é uns R$ 9,90, mas com a Atento vou ganhar um desconto... Não sei quanto, mas depois eu conto. Ah, falando em Atento, a moça que me atendeu no banco disse que 4 pessoas antes de mim tinham ido a aquele banco abrir conta por causa da Atento e até brincou com seu amigo dizendo: "Poxa, essa Atento tá contratando, hein!" - É... Também descobri que vou ter uma conta poupança junto... Interessantíssimo! Nunca tive conta poupança, rs! Legal esse Bradesco, espero que seja bom mesmo! Na volta do banco, tivemos que voltar para casa (era para eu pegar o ônibus e ir logo entregar os documentos) porque a minha mãe descobriu que um dos saltos do sapato dela sumiu... Não estava mais lá! Logo ela descobriu que o outro sapato também tinha sumido o salto e o sapato estava pronto para se tornar um jacaré... Resultado: Voltamos para casa, trocou o sapato e jogou o outro no lixo finalmente!
Bem, daí eu fui lá onde Judas perdeu as botas. Onde? Avenida da Consolação. Xii, pelo nome já me desanimou. Cheguei lá, acertei o número mas errei de local porque lá tinha duas portas: Uma que era da assistência médica e a outra era o lugar onde eu ia entregar a documentação... Daí, quando entrei na porta certa, esperei um pouco e logo se formou uma fila. Como eu estava boiando, fiquei sendo uma das últimas da fila. peguei um crachá, peguei o elevador e entrei na sala. Lá tinha um moço que se chamava Eduardo e estava no lugar da Janaína. Logo ele diria uma coisa para meu mundo desabar: Disse que naquele dia nós íamos entregar os documentos, mas não íamos saber de imediato quando e onde íamos começar o treinamento... Somente quando eles nos ligassem... Aquilo me veio como "Nunca isso vai acontecer" e daí minhas esperanças foram embora... Fora que depois as pessoas iam sendo atendidas por ele, para entregar os documentos, de uma forma aleatória: Aquele que chegasse primeiro, pegava o lugar ao lado dele para entregar os documentos e ir embora de lá rapidinho... Já imaginam a competição que deve ter sido! Pensei que nunca mais ia sair de lá porque todos passavam a minha frente. Logo chegaram duas mulheres para agilizar os documentos e assim a primeira atendida por elas fui eu (uma delas). Pegou meus documentos, viu se estava certinho e me dispensou. Quando desci para o térreo, soube que minha mãe tinha feito uma nova amizade (esqueci o nome da moleca, rs!). Lá fora estava mais frio que lá em cima e cada vez que eu falava minha boca tremia um pouco, que m****!
Resultado: Hoje é segunda-feira, e ainda não tive nenhuma resposta. :(

10 Comentários...:

  1. Puxa, mas que confusão, que complicação pra arrumar um emprego, heim? Isso me fez lembrar quando eu estava nos EUA e fui tentar arranjar um emprego em Boston. Eu ia andando pela rua e em cada porta havia um cartaz dizendo "We need help" (Precisamos de ajuda). Tinha emprego em toda parte. A gente entrava, preenchia uma fichinha simples e pode contar que 2 dias depois estavam telefonando pra começar já no dia seguinte. Só pediam exame médico pra trabalhar em restaurante, tipo um teste pra ver se a pessoa bebia ou usava drogas. Mas uma vez lá em Boston fui tentar arranjar um emprego numa empresa brasileira e foram logo dizendo na portaria que haveria um processo seletivo, uma prova, que haviam mais candidatos do que vagas, que pediam muitos documentos e que não era muito fácil conseguir uma vaga. Cheguei a conclusão que esse monte de exigências é uma coisa até cultural. É mania de brasileiro. Bom, espero que vc consiga, mas ao mesmo tempo, faça alguma coisa por conta própria que talvez dê até mais certo.

    Adorei ler seu relato.

    bjs

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  2. Nossa, que odisséia. Já participei de entrevistas assim. Não gosto nem um pouco. Prefiro as comuns, pois sou tímido.

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  3. Oi amiga Lady

    Ri demais com sua historia, quasae que nao tinha fim ein, mas é assim memso uma penitencia para arrumar um emprego, ja passei por isso varias vezes.Mas espero que comece logo logo e depois me conta como foi seu primeiro dia de trabalho.
    Bjs

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  4. É a vida é complicada, olha que ainda estamos apenas começando, eu confesso que numca trabalhei, quero dizer trabalho de carteira assinada ganhando um salario minimo.
    Trabalhei duas vezes de entregar panfleto e na banca do meu tio por um bom tempo.
    Agora tenho que conseguir escapar do quartel pra continuar os estudos e quem sabe uma faculdade ou um curso tecnico, mas eu desejo ser professor de educação fisica ,informatica, enfermagem, ou cozinheiro quem sabe, ou seguir a carreira da familia que é militar eu prefiro ser Bombeiro pelo menos eu salvaria vidas.

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  5. É aquela coisa de oferta e procura...existem áreas que te pegam a laço, outras você tem que fazer aqueles testes psicológicos exaustivos, dinâmicas de grupo, etc...

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  6. Poxa, moça. Já ia dar os parabéns e lá me vem vc com mais um dramalhão. hehe

    Fico pensando se vc observa muito, anota até ou chega correndo para por tim por tim no blog. Nossa!

    Trabalhei 2 anos com Telemarketing receptivo e a Atento é uma das melhores no país. Super bem estruturada e sempre contratando! Pena não estar em SP. Agora trabalhar com vendas é f... Fiquei um pouco surda do ouvido esquerdo tb e tão irritada que hj mal atendo telefone.

    A profissão é uma das q mais crescem, apesar da sanção em alguns estados e das novas regras do Ministério da Justiça. Irá dar tudo certo. E, sendo supervisor vc ganha mais.

    E, não se engane. Faculdade não é tudo, não é o mundo. O que mais tem é gente formada e desempregada por aí (eu). Além do que nem 30% dos que se formam atuam na área. Fosso! A exigência e a competição só vai aumentando ... Então, acho que mais importante que facul é um trabalho, seja do que for. Estágio não paga muito e trabalho dos que vejo mal chega a 2 salários mínimos, então ... No fim, é tudo ilusão. Trabalhando vc conhece gente, cresce.

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  7. PEGUE O SEU SELO EM HOMENAGEM AS MULHERES NA COMEMORAÇÃO DOS 100 ANOS DO DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES...
    Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.
    O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida
    FELICIDADES!!!!!!!!!

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  8. Lendo isso dá até nervoso... mas pior que é verdade. Eu desejo para voce muita sorte. Pense positivo que vai dar certo. Deseje que vai dar certo. Voce não conseguiu ir para a faculdade, saiba que só fiz depois de conseguir primeiro trabalhar e com o emprego paguei meus estudos. Isso foi de grande valor para mim.
    Boa sorte!

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  9. Dificil né? Meu Deus uma confusão total quando estamos a procura de um emprego, procurar é dificil e me pareceu que conseguir é mais ainda além de você tem outras tantas gente para tal emprego... Ah! Outro detalhe além de dramático seu texto é muito engraçado adorei ler pena que não teve um final feliz você ainda está na espera aff!!!

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  10. querida, passei por tudo isso e tambem fui reprovada, mas coloquei na minha cabeça que é uma questão de HONRA, amanhã estarei lá (só que não na atento)foi por oiutra empresa também conhecida, e vou pela terceira vez me submeter a esta dinamica, como disse é uma questão de HONRA.Quero ver os resultados, fui reprovada pela fono, fiz um tratamento de um mes...torça por mim depois te conto...Mas vai ai um conselho meu NÃO DESISTA...BJS...

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