Na era do computador, existe algo que não sai da minha cabeça: A minha máquina de escrever.
Eu tinha 8 anos quando meu pai trouxe uma máquina velha, antiga, suja e meio quebrada. Ele mesmo consertou e usou uma cadeira azul de cozinha para ser a mesinha da máquina. Quando acabou de consertar, deixou a máquina em minhas mãos e nos primeiros dígitos eu me apaixonei e nunca mais parei.
Ela era uma máquina de escrever da marca "Olivetti LINEA 88", grandona, cheia de detalhes... Quando chegava no final da página, fazia um barulho ("tim") para avisar que já estava acabando o espaço da folha. Ela era grande, tinha umas teclas enormes e suas letras eram lindas e completas. Era uma máquina bem completa, tinha tudo: Só faltava internet, rs!
Foram quase 10 anos de uso e com essa máquina eu escrevia coisas incríveis. Meu pai usava a máquina para fazer documentações do condomínio ou anotações de orçamento de seu serviço como autônomo. Eu já a usava para caramba como se fosse um companheiro de vida... Eu era unha e carne com aquela máquina! Eu me lembro que eu esticava minhas pernas em cima dela em sinal de possessividade, não ligava para as marcas nas minhas pernas que ela deixava. Na família, fiquei famosa com essa história da máquina e eu e mesmo sendo velha e "ultrapassada" aquela máquina conquistou o carinho das minhas primas. Todo dia eu usava aquela máquina e quanto ao seu barulho "irritante" que fazia quando eu datilografava, meus pais já tinham se acostumado. Eu ficava até altas horas datilografando... Serão inesquecíveis os dias em que eu saía para ir ao bazar comprar a fita para a máquina.
Quando foi para lá de 2002, a máquina começou a dar problemas esquisitos... Ela já dava alguns problemas, mas era fácil de consertar. Geralmente era poerinha ou algo do tipo (eu me lembro que até uma aranha grandona entrou nela, rs). Mas esse problema era mais grave! De repente, ela travou tudo e um dia meu pai resolveu conserta-la de novo, mas ele estava bêbado aquele dia... Ele acabou de quebra-la! Não me esqueço de vê-la soltando umas bolinhas bem pequenas de metal e partir daí nunca mais voltou a funcionar... Aquilo para minha cabeça significava a morte de um ser (que nem era ser vivo). Eu chorei tanto! E observação: Eu já tinha 14, 15 anos! Desde aquele dia, aquela máquina passou a ser "imprestável" para uso. Tempos depois, a jogamos no lixo e aquela imagem de ela sendo levada não me sai da cabeça... Até hoje.
Durante o tempo sem essa máquina, cheguei a sonhar em ter uma máquina elétrica de escrever e mesmo hoje tendo computador sinto muita falta da minha máquina de escrever !!!
Em 2006, minha tia deu uma pequena máquina de escrever que era dela. Era aquelas que de tão portátil podia se guardar dentro de uma espécie de "malinha" própria. Eu a usei, mas ano passado resolvi doa-la a Casas André Luiz (faça sua doação também!): Ela não era igual a minha Olivetti, humpf!
Pois é, lindinha. Aqui em casas também tem, até hoje uma máquina muito semelhante à da foto. Só que o carro é longo para suportar documentos mais largos. Era uma das máquinas que eu tinha no escritório de contabilidade que tive. Além dela, restou uma máquina calculadora elétrica. Já pensei em doar mas minha mulher insiste em guardar esta volumosa reminiscência que não é utilizada faz tempo.
ResponderExcluirMeu pai, durante muito tempo, foi mecânico de máquinas de escrever e trabalhou na Remington Rand do Brasil, uma fabricante de máquinas de escrever que existiu aqui no Brasil.
Quem sabei eu não consiga doá-la para algum museu? Vou tentar convencer, de novo, minha mulher.
Beijos
Andressa,
ResponderExcluirEu também tive uma máquina de escrever e acho que saber bater na máquina (fiz curso de datilografia)me ajudou muito, pois quando digito não olho para o teclado. A minha era uma Olivetti Letera portátil. Sinto saudade, apesar das trocas de fitas, dos problemas para lubrificar os braços, os travamentos...
Nessas máquinas de escrever o que eu tinha mais raiva era quando as teclas se entrelasava e tinha que arrumar,o dedo ficava cheio de tinta rsrsrs.
ResponderExcluirTambém tive uma máquina de escrever que deixei para o meu irmão que é paraplégico, claro que agora ele tem um computador e nem sei onde foi a bichinha. Mas, vim aqui para lhe oferecer um selinho, não sei se gosta. Se aceitá-lo, basta copiar e colocá-lo em um cantinho do seu blog. Vc pode repassar para as amigas, ou não. A seu gosto. Espero que goste.Beijos!
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